sábado, novembro 11, 2006















the End has no End.


Última casa do tabuleiro, na beira
do mundo: torres, bispos e peões em bando.
A rainha negra e o rei branco dançando
sozinhos - A caça de amor é altaneira.

Então o rei come a rainha que, sufocando,
engole o tabuleiro e se engole inteira:
o jogo de xadrez é só uma distração do
fato de que todos são peças de madeira.

sexta-feira, novembro 10, 2006




E Deus disse:

Opa, desculpe, livro errado...






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Eis que entra Édipo:

Foda-se... Não vou a lugar nenhum...





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Hitler:

Esqueci a escada...





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Ah... cansei

terça-feira, novembro 07, 2006



"Entendamo-nos bem. Não ponho eu mira
na posse do que o mundo alcunha gozos.
O que preciso e quero é atordoar-me.
Quero a embriaguez de incomparáveis dores,
a volúpia do ódio, o arroubamento
das sumas aflições. Estou curado
das sedes do saber, de ora em diante
às dores todas escancaro est´alma.
As sensações da espécie humana em peso,
quero-as eu dentro de mim; seus bens, seus males
mais atrozes, mais íntimos, se entranhem
aqui onde à vontade a mente minha
os abrace, os tateie; assim me torno
eu próprio a humanidade; e se ela ao cabo
perdida for, me perderei com ela"
Fausto, de Goethe

domingo, novembro 05, 2006

Andava esguio na sombra da madrugada, sua eterna companheira, temperado pelo sal da libidinagem, embriagado pelo orvalho entorpecedor das ruas da lapa. As putas passam laboradas. O som de sambas, sirenes e silêncio se misturam ritmicamente em sua cabeça guiando seu passo do urubu malandro. Em sua estrada não haveria destino, não há objetivo, só há a oportunidade. O que se apresenta se coloca como foco provisório de sua atenção, pequena pausa que antecede outra caminhada.

Um grito toma seu espaço. A atenção desviada se incomoda e torna curiosa para uma esquina preciosamente mal iluminada. Pensa, - outra prostituta com acidentes de trabalho – Outra oportunidade para se ter de graça o que só se tem pagando pouco.

Sente-se completamente estranho. Antes de virar a esquina prostra inquieto, mal tragado. Não consegue coibir a sensação de que dobrar a esquina vai significar mais que o nome da ação sugere, vai desviar seu rumo sem rumo.

Por simplesmente não conseguir saber lidar com ansiedades, atravessa esse portal extraviado em esquina e depara-se com uma cena estranhamente sóbria. Dois homens surpreendidos por uma mulher bem preparada que lhes domina com movimentos secos e rápidos. Nunca havia visto uma mulher bater tão severamente em dois homens de uma vez com tanta frieza, tanta precisão... e que mulher... Estava para surgir um deus poderoso o suficiente para desafiar tal cristalização de um poema. A beleza pontiaguda de uma mulher voraz e valente... sem borrar a maquiagem.

Ela, sem pestanejar se guia em sua direção. Sua expressão poderia se traduzir em frangos sangrando, mas para seus olhos entorpecidos, um homem agora bêbado de paixão, se lia apenas borboletas.

A mulher pisa o chão firme, ele relaxa os músculos, sorri. Ela tira qualquer objeto luminoso da cintura, ele tira suavemente seu lenço vermelho do pescoço. As luzes do poste piscam em desvairo. A lua grita sua luz ao solo onde sangue fora derramado. Um gosto sego na boca. Uma tonteira repentina. Ela, com o rosto sexualmente próximo do seu, termina de tirar o punhal de sua barriga. Se a dor tivesse voz estaria aos berros. Se ele tivesse força recitaria um poema.

Ela pisa sensual, uma perna de cada vez em direção à sombra na noite perdida... sem apressar-se... sem medo algum. Ele, mal segurando o próprio corpo ereto, só quer segui-la, amá-la, ao menos ouvir sua voz.

Traído pela boemia que o criou. Ludibriado pela poesia que nunca antes lhe permeara o coração, mas tão somente as letras de seus sambas. Morre... quem sabe de amor.



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