
Se é mentira que se 50% + 1 dos votos de uma eleição forem nulos, esta também seria anulada - como alguns juristas afirmaram nessas últimas semanas na imprensa - em uma constituição em que se reflete a vontade do povo, ou se propõe a avaliar todas as possibilidades decorrentes do sistema representativo pelo voto, deveria prever esse tipo de manifestação. (1) O voto nulo seria, assim, uma expressão importante do descontentamento com o sistema político vigente e apontaria a necessidade urgente de mudanças. Creio que, após a massante campanha dos meios de comunicação pelo "voto consciente" - excluindo o debate sobre a importância do sistema de votação de um país prever essa manifestação e a possibilidade de tornar essa possível mentira (a nulidade de uma eleição) em uma verdade - a maioria da população sentir-se-á obrigada a escolher entre alguns dos candidatos, e nenhuma mudança significativa ocorrerá no processo eleitoral.
Penso em votar nulo para o governo do estado. O Serginho - se ainda fosse o pai - dos Garotinhos, dos velhinhos e de tantas outras maracutaias que passaram pelo presidente da ALERJ nesses últimos anos, é difícil. A bélica e tirana Juíza Denise também é complicado.
Mas ainda pondero nessa questão.
Mas para presidente, já decidi.
Seria muito crer que o governo iria romper com essa politica econômica neo-liberal. É impossivel em quatro anos estabelecer uma nova ordem econômica no país e ainda resolver os problemas históricos como a má distribuição de renda, a reforma agrária e a pobreza. Mas se tentou. Esse governo não só estabilizou uma economia turbulenta, como implantou e apontou projetos provisórios que apontam nossas necessidades básicas. Digo provisório porque, inicialmente, a idéia é diminiur esses projetos sociais, aumentando gradativamente o investimento em educação e infra-estrutura. O fato de manter uma mesma política econômica não significa que esse governo teve os mesmos compromissos com o capital externo como todos os outros. Viemos de 24 anos de ditadura e de 12 anos de Collor e PSDB. É impossível, a não ser por uma revolução total de tudo, romper com essas correntes que ainda dominam o cenário político brasileiro, e que novamente podem voltar ao poder.
Lula não vai à Daslu.
Lula nunca foi uma pessoa de ideologias formais, que você possa dizer "comunista" ou qualquer outra nomenclatura. Mas o fato dele ter vindo da exclusão total (primeiro no nordeste e depois como operário), fora do discurso demagógico, é realmente signicativo. Creio eu que Lula tem um compromisso sim, na tentativa de torna o Estado Brasileiro em um Estado mais humanista, incapaz que olhar um próximo com total indiferença. O problema não é a privatização em si. São os interesses por trás dessas transações e os benefícios particulares que elas podem trazer aos que participam diretamente na decisão do processo. Portanto, é ótimo que todos possam gozar de aparelhos eletrônicos e telefones. Aliás, é fundamental. O que não é bom é que para isso se ocorra uma série de transações de corrupção em detrimentos das finanças do país, e a falta de controle e fiscalização estatal dessas empresas. Eu também prefiriria um serviço privado eficiente do que uma ineficiência estatal. Mas não adianta em nada a melhora de serviços que poucos podem usufruir qualitativamente, quando muitos não conseguem pagar.
O governo Lula cometeu muitos erros. Uma vez no poder, em vez de auditar todas as privatizações que tanto criticou e abrir as feridas do Estado Brasileiro, preferiu manter o sistema de corrupção e compra dos partidos para estabelecer seu projeto de governo - mas não para enriquecer aquela pessoa ou outra. Negociou com quem sempre criticou e quando não quis fazer mais isso (Roberto Jefferson só apareceu na História quando seu partido foi ameaçado de não receber mais benefícios) foi desmascarado.
E é bom que isso aconteça. A apuração de todo o processo é fundamental. Fernando Henrique brecou uma série de tentativas de apuração do seu governo. Alckmin, no governo de SP, também (vide http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=24044).
Lula é sim passível de muitas críticas, não é o super-herói que se esperou. Porém creio, que de algum modo, o país avançou. Retirá-lo do poder para colocar Alckmin é um retrocesso em todo o processo político que deseja transformar o Brasil em um país realmente democrático. Votar em Lula não é um voto de fé, de que ele possa ter um governo diferente. Sem dúvida, será. Votar em Lula também é uma decisão política de que desejamos avançar e não retroceder.
Menos ruim com ele. Muito pior sem.
bjs a todos,
raoni
P.S1: NOSSOS FEDERAIS CARIOCAS: Gabeira (PV); Pudim (PMDB); Rodrigo Maia (PFL); Andreia Zito (PSDB); Leonardo Picciani (PMDB); Nelson Bornier (PMDB); Eduardo Cunha (PMDB); Chico Alencar (PSOL); Hugo Leal (PSC); Ezequiel (PMDB); Edson Santos (PT); Alexandre Cardoso (PSB); Solange Amaral (PFL); Jair Bolsonaro (PP); Simão Sessim (PP); Julio Lopes (PP); Índio da Costa (PFL); Otavio Leite (PSDB); Sandro Matos (PTB); Léo Vivas (PRB).
NOSSOS ESTADUAIS: Zito-campeão (PSDB); Pedro Augusto (PSDB); Wagner Montes (PDT); Paulo Melo (PMDB); Álvaro Lins (PMDB); Graça (PMDB); Altineu Cortes (PMDB); Alessandro Molon (PT); Alair Correia (PMDB); Carlos Minc (PT); Picciani (PMDB); Domingos Brazão (PMDB); Pedro Fernandes Neto (PFL); Rodrigo Dantas (PFL); Dr. Marcio Panisset (PFL); Sabino (PSC); Dr. Alcides Rolim (PL); Dica (PMDB); Dionísio Lins (PP); Cidinha Campos (PDT).
Pelo menos oito acusados de envolvimento com o suposto esquema de compra de votos na Câmara Federal foram eleitos. São eles: João Paulo Cunha (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Vadão Gomes (PP-SP), Sandro Mabel (PL-GO), Pedro Henry (PP-MT), Paulo Rocha (PT-PA), Valdemar da Costa Neto (PL-SP) e José Genoino (PT-SP). Valdemar da Costa Neto e Paulo Rocha eram deputados federais na época das denúncias e renunciaram ao mandato para evitar a cassação. Genuíno era presidente do PT e deixou o cargo. Os demais foram absolvidos pelos colegas da Câmara. Dos 50 acusados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas que disputavam algum cargo nestas eleições, apenas cinco se elegeram, todos para deputado federal. São eles: Wellington Roberto (PL-PB), Marcondes Gadelha (PSB-PB), Pedro Henry (PP-MT), Wellington Fagundes (PL-MT) e João Magalhães (PMDB-MG). Mas, o sanguessuga-mor, o senador pela Paraíba Ney Suassuna não foi reeleito. (2)
(1) Devo esse pensamento à conversa com Alexandre Barbosa Teixeira
(2) Devo essas referências à Anna Beatriz Gaglianone