sábado, outubro 21, 2006



Desculpe

Desculpe. Tal como um foguete vou invadindo seu espaço com meu turbilhão de sentimentos e lhe fazendo ter de refletir, perceber e decidir algo tão grande.

Desculpe, era pra acontecer de outra maneira, era pra eu pegar na tua mão, fazer-lhe um carinho e as coisas caminharem em seu tempo natural. Era pra vontade ir crescendo dentro de ti e explodir junto da minha e nós nos falarmos juntos, na hora certa. Mas, não está sendo assim, a vontade em mim cresce cada dia mais e eu nem sei se há chances dela haver em você. Isso é outra coisa que eu acho um abuso, e se eu abrir meu coração e acontecer de você não sentir nada, o desconforto e a culpa que será pra você quando me der a má nova.

Desculpe, é uma invasão do seu espaço, eu simplesmente entro e tiro teu sossego e bem estar substituindo-os por uma gama de outros sentimentos mais incômodos, tais como pena, medo, agonia, amor.

Sinto-me a escória da humanidade, usando de minha tristeza e solidão como instrumentos para te alcançar. Minha única intenção é que sintas o mesmo que eu, mas corro o risco de ter-lhe por pena ou por que "não é todo dia que alguém escreve uma carta dessas pra alguém". Não quero que se sinta obrigada a pelo menos ser solidária a mim, não quero sua pena.

Ah! Toda essa idéia de lhe escrever está errada, desculpe. Se não pela ilusória distancia que uma carta me traz, não seria capaz de me abrir nunca. Escrevo, mas tremo, fraquejo de medo que leias isto. Mas eu preciso expurgar o que está dentro de mim. Desculpe, eu sei que é egoísta, mas já não é mais uma questão de julgar com pensamentos. Faço isso para manter a sanidade. Não posso mais te ver e fingir que nada acontece. Pois quando eu te vejo, explode dentro de mim uma sensação truculosa, movedora que abala todos os meus sentimentos. Ao seu lado não consigo respirar, não consigo pensar, sou incapaz de mover um braço pra fazer-lhe um carinho. Sua beleza me desmorona, me desconstrói. Você me faz morrer de calor e paixão a cada segundo. E a dor... Não sabes o quanto dói cada vez que vou embora, a discórdia confrontadora da minha mente pelo meu coração cada vez que saio sem fazer com que me vejas. Eu preciso “te ganhar ou perder sem enganos” antes que morra afogado em mim mesmo. Só faço isso, só te jogo esta bomba porque não agüento mais sofrer. Peço-te que olhes para mim, que penses em mim e sinta o que seu coração mandar, não tente entender, não se prenda a razões ou decisões, apenas deixe ser o que deve ser, apenas sinta.

Se estou nesse ponto, se cheguei até aqui, é porque sou fraco e não tive coragem para lhe falar antes, nem muito menos pra falar agora o que sinto. Não espero que tenhas a força que não tive, seria presunção demais. Sei que irás ler esta carta e o que quer que sintas, vai ser sincero e sei também que mesmo que não digas nada, a próxima vez que te ver, saberei qual a tua resposta. Há momentos em que as palavras só atrapalham, tem coisas que elas não sabem dizer.

Peu,

Desculpe...

sexta-feira, outubro 20, 2006






Composição para steins, Wittgen e Gertrude.



“feeling sorry wont bring my baby back, will it?”


1. Não seria preciso descrever a culpa como decréscimo de algo, ao invés da desculpa? Se alguém diz “pisei no seu pé, desculpa” o que esta em jogo é menos o retirar de uma ação e mais a aceitação incondicional da mesma.

1.1 Desculpa.
De culpa.
Esse ‘s’ pertence ao.

1.11 que ésse é esse

2. Ninguém pede desculpa à deus, só perdão.

2.1 Desculpa-me, deus, pela blasfêmia.

3. Arrepender-se exige crença no nexo causal, desculpar-se, não.

3.1 De um homem que se diz arrependido, pode-se deduzir dois pontos: “antes eu estava certo” – “agora estou certo”.

3.11 A re-pender-se. Pêndulo que ainda vai voltar.

3.2 De um homem que pede desculpas, pode-se aceitar as desculpas.

3.3 A educação e a decência ensinam como desculpar-se, mas com resultados diferentes.

3.31Pedir desculpas por quebrar um copo é o mesmo que pedir desculpas por partir um coração.

4. O ideal seria o silêncio.

4.1 A idéia é a culpa da ação.

4.2 Silêncio é a desculpa dos filósofos e o fantasma de quem escreve.

4.21 Disso, de certo, seria melhor calar.

4.22 Me arrependo do aforismo acima.

quinta-feira, outubro 19, 2006


(Deveria ser postado segunda-feira. No entanto...)

Coisas que não devem ser ditas.

Havia três casas no topo daquele monte. Uma era vermelha, outra quase roxa e a outra bem amarela.Em cada casa vivia uma pessoa: na amarela o Gordo reinava, na quase roxa a Caolha varria e na vermelha o Estranho corria. Os três viviam da terra, e para a terra sorriam a cada manhã. Se cruzavam todos os três, sempre ao meio-dia, quando aravam seus pequenos pedaços de terra e colhiam os produtos de seu próprio trabalho.Como sempre, o cotidiano de cada um se dava de forma repetida, e porque não dizer, feliz.Eu acho.Em um belo dia, carregando seus instrumentos de trabalho, os três moradores se esbarraram de forma inusitada, ao tentarem pescar o mesmo peixe. Riram disso. E seiscentas vezes o sol mudou de cor... Aquilo era novo e sentiam-se como se fossem crianças descobrindo um tesouro escondido no céu.Resolveram deixar os afazeres do dia de lado, e pela primeira vez em oito anos sentaram-se na encosta do monte e conversaram sobre o que cada um tinha feito até ali. O Gordo sorria com facilidade, enquanto a Caolha coçava o joelho e o Estranho falava baixinho.Minhas sinceras desculpas.Naquele dia, ouviram juntos os sons da terra e puderam observar a aurora em explosão, caindo devagar enquanto permaneciam contentes, conversando sobre frutas silvestres, pássaros do sul e previsões climáticas.A Caolha morria por dentro. O Gordo por dentro chacoalhava-se. O Estranho observava, estranhando.Quando os três perceberam que a noite caíra, emudeceram-se simultaneamente por alguns instantes. Após alguns minutos, resolveram deitar-se sobre a relva e de ali em diante, puseram-se a admirar as estrelas, como há muito tempo não ousavam fazer. Conversaram sobre o amor, as belas coisas... As coisas da infância esquecida. O Gordo chorava copiosamente, a Caolha sorria... O Estranho arrancava punhados de flores do mato.Seguiram na densidade da noite escura, conversando sobre Deus, sobre os astros e sobre canções de ninar. Riram muito, todos juntos. Choraram logo depois.Eu penso que talvez tenham mesmo se tornado um só durante a madrugada. E apenas durante ela.Quando o galo cantou e o monte começou a mudar de cor, recolheram-se calados, os três, para suas respectivas casas. O Gordo para a amarela. A Caolha para a sua incógnita. O Estranho para a vermelha; o sol, cansado, bateu na porta de cada um às 6h da manhã.Às 6h da manhã muita coisa acontece. Até mesmo por lá.E ao acordarem mais tarde, lá estavam ao meio-dia, colhendo frutos, sem que seus olhares se cruzassem. E a máquina do dia fazia-se então sublime. Quase leve, de tão perfeita.






O bruxo

“´ É claro que a vida é boa
E a alegria,a única indizível emoção
É claro que eu te acho linda
E em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que eu te amo
E tenho tudo para ser feliz.

Mas acontece que eu sou triste... “
( Vinícius de Moraes/Dialética.)


Um urro dolorido forte como o de uma pantera gigantesca negra e mordaz saia debaixo da pedra onde o bruxo morava, naquela manhã o velho amaldiçoava todo o mundo com os olhos marejados como os olhos de qualquer desgraçado...
Amaldiçoava as flores por fazê-lo pensar que amar era algo bom.
Cuspia nos aldeões que passavam respirando esperança,a esperança que o alimentou tanto tempo e vice-versa....o bruxo rasgou sua roupa verde, só se vestia de preto agora pra frente.
O mago tinha mãos trêmulas e pernas mancas como castigo divino.
Amaldiçoava a lua que sempre lhe brilhava instigando-o a fulgurar a luz de seu coração que até ontem era bom...
Até perder para sempre sua pedra de luz para um qualquer-nota que mesmo sem o bruxo conhecê-lo sabia não ser digno,pois pedras com aquela luz só poderiam pertencer á quem sabe limpá-la e cuida-la e ser limpo e ser cuidado por ela..agora o bruxo não mais podia se limpar...vivia sujo, barba enorme com cogumelos dependurados, não queria mais fazer feitiços só encarava á todos por debaixo das grossas e violentas sobrancelhas que diziam apenas odiar a todos...

O bruxo pulara no mar e matara 23 cavalos marinhos só com sua presença...não os comera, os matou pela beleza deles, nada que era muito belo merecia viver...
Ao sair do mar, o bruxo atravessou a ponte, ao cruzar com uma velha atirou-a na enorme queda que diziam uns não ter fim,o bruxo não queria mesmo que tivesse...

O bruxo amaldiçoou as montanhas por serem maiores que ele.
Amaldiçoou o vento,por carregar o clima de amor do vilarejo até perto da pedra onde vivia.
E lá pelas quatro da tarde, o bruxo entendera assim descobrindo que não tinha mais coração, abrira tanto o seu peito deixando que tanta gente entrasse, que alguns levaram alguns pedaços como souveniers, dera tanto amor a tanta gente que jogou aos sete ventos como cinzas de algo que tinha que ir embora.
Percebeu também, que seu o toco que tinha no peito duraria alguns poucos momentos, pensou em botar fogo em toda a sua roupa até que virasse bola de fogo encandescente...mas achou que seria demorado demais,não dolorido já que seu peito havia secado e não sentia mais dor,dedicou então as suas últimas horas a amaldiçoar,chingar e resmungar com pedras, sóis,duendes, espíritos,gramas,miligramas,lembranças boas,lembranças ruins...sabia que a pedra apesar de agora estando com um brilho falso que todos até ela mesma no fundo,sabia que acabaria dali há uns tempos nunca racharia pois era feita de um material forte...diferente do mago...que definhava, chingando e cuspindo e trincando os dentes de madeira com o extremo de ódio quando já sem voz seu corpo se transformava em deserto, virava algo seco...o mago que até ontem era bom,e fora roubado ,parecia agora ser levado pelo vento pela carcaça de uma arvore velha e troncuda que tinha um simbolo amoroso e o nome de duas pessoas que provavelmente já sofreram por amar umas as outras, ou uma a outra...

quarta-feira, outubro 18, 2006



Se é mentira que se 50% + 1 dos votos de uma eleição forem nulos, esta também seria anulada - como alguns juristas afirmaram nessas últimas semanas na imprensa - em uma constituição em que se reflete a vontade do povo, ou se propõe a avaliar todas as possibilidades decorrentes do sistema representativo pelo voto, deveria prever esse tipo de manifestação. (1) O voto nulo seria, assim, uma expressão importante do descontentamento com o sistema político vigente e apontaria a necessidade urgente de mudanças. Creio que, após a massante campanha dos meios de comunicação pelo "voto consciente" - excluindo o debate sobre a importância do sistema de votação de um país prever essa manifestação e a possibilidade de tornar essa possível mentira (a nulidade de uma eleição) em uma verdade - a maioria da população sentir-se-á obrigada a escolher entre alguns dos candidatos, e nenhuma mudança significativa ocorrerá no processo eleitoral.

Penso em votar nulo para o governo do estado. O Serginho - se ainda fosse o pai - dos Garotinhos, dos velhinhos e de tantas outras maracutaias que passaram pelo presidente da ALERJ nesses últimos anos, é difícil. A bélica e tirana Juíza Denise também é complicado.

Mas ainda pondero nessa questão.

Mas para presidente, já decidi.

Seria muito crer que o governo iria romper com essa politica econômica neo-liberal. É impossivel em quatro anos estabelecer uma nova ordem econômica no país e ainda resolver os problemas históricos como a má distribuição de renda, a reforma agrária e a pobreza. Mas se tentou. Esse governo não só estabilizou uma economia turbulenta, como implantou e apontou projetos provisórios que apontam nossas necessidades básicas. Digo provisório porque, inicialmente, a idéia é diminiur esses projetos sociais, aumentando gradativamente o investimento em educação e infra-estrutura. O fato de manter uma mesma política econômica não significa que esse governo teve os mesmos compromissos com o capital externo como todos os outros. Viemos de 24 anos de ditadura e de 12 anos de Collor e PSDB. É impossível, a não ser por uma revolução total de tudo, romper com essas correntes que ainda dominam o cenário político brasileiro, e que novamente podem voltar ao poder.

Lula não vai à Daslu.

Lula nunca foi uma pessoa de ideologias formais, que você possa dizer "comunista" ou qualquer outra nomenclatura. Mas o fato dele ter vindo da exclusão total (primeiro no nordeste e depois como operário), fora do discurso demagógico, é realmente signicativo. Creio eu que Lula tem um compromisso sim, na tentativa de torna o Estado Brasileiro em um Estado mais humanista, incapaz que olhar um próximo com total indiferença. O problema não é a privatização em si. São os interesses por trás dessas transações e os benefícios particulares que elas podem trazer aos que participam diretamente na decisão do processo. Portanto, é ótimo que todos possam gozar de aparelhos eletrônicos e telefones. Aliás, é fundamental. O que não é bom é que para isso se ocorra uma série de transações de corrupção em detrimentos das finanças do país, e a falta de controle e fiscalização estatal dessas empresas. Eu também prefiriria um serviço privado eficiente do que uma ineficiência estatal. Mas não adianta em nada a melhora de serviços que poucos podem usufruir qualitativamente, quando muitos não conseguem pagar.

O governo Lula cometeu muitos erros. Uma vez no poder, em vez de auditar todas as privatizações que tanto criticou e abrir as feridas do Estado Brasileiro, preferiu manter o sistema de corrupção e compra dos partidos para estabelecer seu projeto de governo - mas não para enriquecer aquela pessoa ou outra. Negociou com quem sempre criticou e quando não quis fazer mais isso (Roberto Jefferson só apareceu na História quando seu partido foi ameaçado de não receber mais benefícios) foi desmascarado.

E é bom que isso aconteça. A apuração de todo o processo é fundamental. Fernando Henrique brecou uma série de tentativas de apuração do seu governo. Alckmin, no governo de SP, também (vide http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=24044).

Lula é sim passível de muitas críticas, não é o super-herói que se esperou. Porém creio, que de algum modo, o país avançou. Retirá-lo do poder para colocar Alckmin é um retrocesso em todo o processo político que deseja transformar o Brasil em um país realmente democrático. Votar em Lula não é um voto de fé, de que ele possa ter um governo diferente. Sem dúvida, será. Votar em Lula também é uma decisão política de que desejamos avançar e não retroceder.

Menos ruim com ele. Muito pior sem.

bjs a todos,

raoni

P.S1: NOSSOS FEDERAIS CARIOCAS: Gabeira (PV); Pudim (PMDB); Rodrigo Maia (PFL); Andreia Zito (PSDB); Leonardo Picciani (PMDB); Nelson Bornier (PMDB); Eduardo Cunha (PMDB); Chico Alencar (PSOL); Hugo Leal (PSC); Ezequiel (PMDB); Edson Santos (PT); Alexandre Cardoso (PSB); Solange Amaral (PFL); Jair Bolsonaro (PP); Simão Sessim (PP); Julio Lopes (PP); Índio da Costa (PFL); Otavio Leite (PSDB); Sandro Matos (PTB); Léo Vivas (PRB).

NOSSOS ESTADUAIS: Zito-campeão (PSDB); Pedro Augusto (PSDB); Wagner Montes (PDT); Paulo Melo (PMDB); Álvaro Lins (PMDB); Graça (PMDB); Altineu Cortes (PMDB); Alessandro Molon (PT); Alair Correia (PMDB); Carlos Minc (PT); Picciani (PMDB); Domingos Brazão (PMDB); Pedro Fernandes Neto (PFL); Rodrigo Dantas (PFL); Dr. Marcio Panisset (PFL); Sabino (PSC); Dr. Alcides Rolim (PL); Dica (PMDB); Dionísio Lins (PP); Cidinha Campos (PDT).

Pelo menos oito acusados de envolvimento com o suposto esquema de compra de votos na Câmara Federal foram eleitos. São eles: João Paulo Cunha (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Vadão Gomes (PP-SP), Sandro Mabel (PL-GO), Pedro Henry (PP-MT), Paulo Rocha (PT-PA), Valdemar da Costa Neto (PL-SP) e José Genoino (PT-SP). Valdemar da Costa Neto e Paulo Rocha eram deputados federais na época das denúncias e renunciaram ao mandato para evitar a cassação. Genuíno era presidente do PT e deixou o cargo. Os demais foram absolvidos pelos colegas da Câmara. Dos 50 acusados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas que disputavam algum cargo nestas eleições, apenas cinco se elegeram, todos para deputado federal. São eles: Wellington Roberto (PL-PB), Marcondes Gadelha (PSB-PB), Pedro Henry (PP-MT), Wellington Fagundes (PL-MT) e João Magalhães (PMDB-MG). Mas, o sanguessuga-mor, o senador pela Paraíba Ney Suassuna não foi reeleito. (2)

(1) Devo esse pensamento à conversa com Alexandre Barbosa Teixeira
(2) Devo essas referências à Anna Beatriz Gaglianone

domingo, outubro 15, 2006




Outro dia quis falar-lhe sobre ele. Não o conheço suficientemente. Vamos colocar assim: Ele passou por mim algumas vezes na rua e não me reconheceu. Tenho a impressão, às vezes, que ele olhava para traz logo depois que eu parava de olhar.

Você, eu sei que não o conhece, já o vi ao teu lado infinitas vezes acompanhado de inúmeras pessoas e nunca o notaste. Até eu já o trouxe comigo para te encontrar. Não tive coragem de apresentá-lo a ti, pois temia a tua reação ao conhecê-lo, principalmente vindo de mim. Mas levei-o. Tentei insinuar, balançava-lhe levemente na sua frente, mas não o entendias. Acho eu que tens certo medo dele. Foges dele. Não digo que não o queres com convicção, não estou te chamando de depressiva ou algo assim. Só acho que não conheces nada dele, já ouviu muito falar, mas nada certo, conciso. E como o homem teme, repulsa e mata o que não conhece, você ignora sua existência à espera de que ele nunca venha até você, mas ele já veio até você, eu o levei. Já o apresentei a todos a sua volta, já sabem todos de suas intenções quanto a você, quanto a nos dois. Só não tive coragem de apresentá-lo a ti.

Peço-te com todo coração que não o repulse e principalmente não o mate. Não posso explicar, não sei como. Eu também não o conheço direito, mas não o mate, ele é bom. Embora outros digam o contrário, eu tenho fé de que se você o deixar entrar na sua vida, vais viver o melhor que a vida pode lhe dar.

Ah! Não sei dizer. Ele é grande, quente, chega a incomodar. Estar perto dele da forma que eu estive, dá uma agonia e um silêncio no coração, que chega o doer. Mas é tão bom. Tão bom saber que ele existe, que ele está ali e um dia vai me confortar, e que nesse dia a agonia e o silêncio vão convergir em música, em cinema, em pintura, em fogo... Vão ser o que ele é, vão justificar a que veio...

Como é?! Ah, é difícil lembrar... Já sei! Foi na última vez que conversamos. Você havia ido... não sei, ao banheiro talvez... e foi aí que ele me apareceu. Lá do fundo, no escuro, em meio à confusão ele chamou pelo meu nome. Confesso que fui receptivo, adorei a idéia de tê-lo por perto. Ele chegou e me encheu de calor e orgasmo, como se eu tivesse tomado um êxtase. Você voltou e... e eu covarde não o apresentei, simplesmente o empurrei para longe, pra dentro da multidão e fingi que nada havia acontecido. Foi aí que a agonia e o silêncio tomaram conta de mim. O que eu poderia fazer, eu também tive medo. Achava e ainda acho que você não está preparada como pessoa para conhecê-lo. Ou talvez isso seja só uma desculpa para ser covarde.

Quando disse que ele tinha intenções quanto a nos dois, aposto que você não entendeu nada, não é? Pois é, foi pra isso que ele me apareceu... Não, não tenha medo... pare... Esqueça tudo que você sabe sobre tudo, apague seus conceitos quanto à beleza, dilua suas regras quanto à imagem, arranque os “sims” e “nãos” da nossa cultura e... por uma vez, cultivando o silêncio total e o completo vazio da mente, abra o seu coração e prepare-o para ouvir o que ele vai te dizer... Ele te dirá o que está dentre de mim como me disse o que está dentro de você. E nesse momento você vai entendê-lo e ele já fará parte do seu coração...

O medo foi embora...

Maria, a partir do momento que se busca entender, se está no caminho errado para o entendimento. O amor não merece ser entendido, ele precisa apenas ser. Ame a ti e a teus inimigos com o maior de todos os amores e o amor lhe virá. Amo-te, deixe que o amor entre em você e me ame de volta, depois você pensa em entender.


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