
prolegômeno da inversão.
ele me disse vamos que tu me deve e eu não soube o que dizer. depois, tive a impressão de que ele também não sabia muito bem. eu falei desce o barranco vai vai porra. alguém gritou da janela moço eles foram por ali ó e logo em seguida ficou tudo em silencio.
pus a mão no seu ombro e falei deita deita deita. escondi meu rosto entre os braços e torci para o mato alto esconder a gente e disfarçar a minha respiração ofegante.fechei os olhos e rezei senhor do céu por favor deixa eu voltar pra casa pra ela pelo amor de deus me deixa sair dessa caralho por favor eu não quero estar aqui.
eu ouvi ele se levantar. abri os olhos e entre as mãos vi quando ele se esgueirou por entre dois arbustos altos e se agachou mais a frente, numa outra faixa de mato. no fundo do meu ouvido começou um zumbido e eu não entendi que eram os pirilampos. em poucos segundos, o matagal a minha frente se iluminou numa esteira de fogo verde e eu ouvi dois tiros.
o sangue preto desceu pelas folhas longas do capim e a luz dos insetos começou a subir rapidamente. eu não sabia mais o que era noite e o que eram as estrelas.