sábado, setembro 30, 2006





exercicio concretista para dizer alguma coisa sem dizer porra nenhuma



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quarta-feira, setembro 27, 2006


Desde o início dos ensaios, o autor se sentava naquela mesma cadeira. Na última fileira, com os pés pro alto, ele observava tudo. Os atores a princípio ficaram felizes de o ter por perto, assistindo aos ensaios, um luxo, disse o ator principal. Outros logo de cara olharam com desconfiança para aquela figura opressora, me lembra os tempos da censura, disse a velha atriz da companhia. O diretor, que a princípio era quem o havia convidado a assistir os ensaios, com o tempo se arrependeu amargamente do convite, intimidado pelo olhar superior que o autor lhe lançava como quem diz vamos ver se você é bom mesmo.
Sua postura não era, de fato, simpática. Esparramado na cadeira, ele não esboçava um sorriso sequer ao longo dos ensaios. Ao contrário, perscrutava tudo com um olhar bovino e uma sonora mudez. Com a sola dos sapatos descansando sobre o dorso da cadeira da frente, ele desafiava a todos, imóvel, impassível. Não demorou para que alguns atores passassem a odiar sua presença. Suavam frio cada vez que entravam em cena, só de imaginar que pousava sobre eles o olhar daquele que havia escrito o texto que diziam. Que-cli-ma, que-cli-ma! gritou a velha atriz, que adorava escandir as sílabas. Outros atores o consideravam apenas um tímido, um pouco como todo autor, disse o ator principal. Eles não são como nós, atores, eles não curtem um refletor, diagnosticou um outro ator. O fato é que pouco a pouco todos os atores da companhia passaram a fazer a peça unicamente para aquele homem rabugento que mal saía do escuro ou dizia qualquer coisa.
Perto da estréia, o clima não podia estar pior. Inseguros, começaram a brigar entre si: o diretor havia cortado relações com o ator principal, que não falava mais com a velha atriz, que apenas chorava copiosamente, reclamando de tudo: a fumaça, a textura do figurino, o cream cracker do lanche (molenga!). Tudo culpa do autor, que do alto de sua cadeira, desafiava a todos com sua muda imobilidade. Era ele quem humilhava a todos com seu olhar fisgado de reprovação.
Na véspera da estréia, sem saber mais o que fazer: o diretor pediu a ele que se retirasse. E ele permaneceu imóvel. Por favor, pediu o diretor. E nada. Vamos acender a luz na platéia? disse ele ao iluminador. E clec, acendeu-se a geral. E todos viram o óbvio. O autor estava morto, sempre esteve. Enterraram-no na coxia, sem alarde. E a estréia foi um sucesso.

(Moral da história: autor bom é autor morto.)

terça-feira, setembro 26, 2006



CONVERSAS SOCIÓ-LOGICAS

Raoni says: (4:18:52 PM)
tai?

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:28:16 PM)
agora to

Raoni says: (4:28:52 PM)
o q mudou depois da exibição de Falcões?

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:29:36 PM)
raoni, para a cufa em termos de expressão mudou bastante

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:30:08 PM)
e para o brasil mudou tb pois as coisas foram mostradas sem máscaras

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:30:40 PM)
a problemática foi discutida e hj temos mais recursos de tentar modificar essa situação

Raoni says: (4:32:32 PM)
temos?

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:32:54 PM)
mais recurso de voz e verba

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:33:15 PM)
o que não é suficiente, mas podemos propor reuniões, apresentar projetos etc

Raoni says: (4:33:32 PM)
isso é reserva de mercado

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:33:45 PM)
?

Raoni says: (4:34:34 PM)
verba, projeto, reuniao, isso é reserva de mercado.

Raoni says: (4:34:45 PM)
quem pode ter acesso a isso?

Raoni says: (4:35:07 PM)
o AfroReggae é mais midia q trabalho social

Raoni says: (4:35:22 PM)
até qdo existirão os "porta-vozes"?

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:35:25 PM)
desde do momento que vc consegue viabilizar um projeto vc muda alguma coisa para alguém

Raoni says: (4:35:31 PM)
em detrimentos das vozes?

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:36:12 PM)
o problema é que a questão é tão ampla que o máximo que vc faça sempre não será suficiente para reverter toda a estrutura

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:36:34 PM)
mas mesmos assim temos que continuar, caso contrário ninguém faz nada

Raoni says: (4:42:37 PM)
Essas mudanças tem que ocorrer concretamente. Educar esse povo, voltar à História, ir a fundo na História desse país, estimular a indignação das massas. Não dá simplesmente para inserir as populações perifericas no mercado de trabalho. é o ínicio mas não é tudo. É preciso ter o senso critico. Não da pra colocar o pobre na Rede Globo, é atira-lo a boca dos Leões!

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:43:35 PM)
nossa... até copiei isso, pois concordo absolutamente com tudo

Raoni says: (4:44:14 PM)
O AfroReggae se perdeu no caminho

Raoni says: (4:45:55 PM)
aderiu ao mercado. hoje nao podemos fazer a exibição do filme em vigario, temos q fazer no cantagalo. Vigario nao da mais como na epoca de orfeu. no entanto o afroreggae ta ganhando sua verbinha, viajando o brasil, e a população de vigario da lá, abandonada... Isso não é e nem pode ser "o jovem negro da favela que deu certo", como eles falam.

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:52:52 PM)
entendi. O problema do afroreggae é igual a de várias pessoas

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:53:40 PM)
que antes enquanto pobre e ferrados pensam na comunidade, mas quando endinheirados ou com verbinhas deixam de pensar no todo e pensam no indivíduo

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:54:27 PM)
penso que deve ter um pouco dos dois, pois quando vc dá certo serve de incentivo para os demais, entretanto isso é um detalhe perto de tudo que deve ser feito

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (4:54:55 PM)
uma frase do quak que sintetiza isso é: se eu me safar sozinho eu não me safei

Raoni says: (4:58:00 PM)
essa questão do "dar certo" é mto questionavel. Quem pode dar certo? Qual a porcentagem dos q "dao certo"?

Raoni says: (4:58:15 PM)
Ter um bom salário é necessariamente "dar certo"?

Raoni says: (4:58:53 PM)
Servir de incentivo aos outros nao é uma falsa sensações, já q pouquissimos "darão certo"?

Raoni says: (5:00:35 PM)
É como se existisse uma cota de "dar certo", ou, ao meu ver, uma cota de inserção de pobres no mercado de trabalho e sua cota de midia para "incentivar" os outros, ou em outra visão, para não permitir que os demais saibam q nunca poderão chegar lá pelos meios comuns e precisam manter essas pessoas na dela.

Raoni says: (5:01:09 PM)
é a escravidão midiatica.

Raoni says: (5:01:32 PM)
Não precisa mais de agressão fisica: a pancada agora vem via TV!!!

Raoni says: (5:01:43 PM)
é o século XXI!!!

Princesa - VIRUS!!!!!! NÃO ABRA! GALERA MEU COMPUTADOR ESTÁ COM VIRUS, Ñ ABRA O CARTÃO, EU NÃO FIZ CARTÃO NENHUM PARA NINGUÉM says: (5:02:14 PM)
tenho várias questões sobre isso, só um minuto que o quak está me chamando

Cocaína.

Em novembro eu a levei pra passear na lua. Eu me lembro do rosto dela e das rimas que ela cantou bem alto. Eu me lembro do vácuo e de duas estrelas separadas.
Na virada do ano, estourei a garrafa no batente da janela e quis montar uma rima. Não consegui.No mês passado eu levei meu cachorro pra passear na esquina da padaria. Eu me lembro do acidente e do som que veio de baixo. Eu me lembro mesmo é de novembro. E deslembro ao mesmo tempo. E eu invento verbos. E eu invento o inverno.
Ontem o retrato sorriu. Doce novembro. Lua de papel e 20 miligramas de cocaína. Textura.
Eu nem me lembro mais.

Oi?

segunda-feira, setembro 25, 2006


E se eu te disser?

Amo, não amo!

E se eu te disser o que sinto?

E se eu te disser adeus?

E se eu te disser morra?

E se eu te disser morro também?

E se eu te disser que tenho medo?

E se eu te mostrar o que tenho, o que quero?... Badulaques.

Sei que devo, mas será que posso?

Como colocar em palavras algo que nem sentir direito eu sei?

E se eu te disser que não sei?

E se eu te disser que não sei se é ou não é?

Quero fugir! Sei que é covardia por isso resisto,

mas que seria do mundo sem os covardes?

Será que eu realmente te amo?

E se eu te disser que sim, mas não sei se é real?

E se você não entender?

Me odeio por me sentir assim.

E se eu te disser que não?

E se eu simplesmente dizer EU TE AMO?

...vais ouvir?


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