
senhor, tem algo estranho entre os seus dentes.
Isso é um sonho. Você está usando um longo pano preto que cobre todo o seu corpo. Logo vem o pensamento esse pano preto e velho não combina com o conforto e o calor que eu sinto, seguido por o outro lado desse pano preto e velho é de veludo cor de sangue. Ainda envolto na manta e nos dois pensamentos consecutivos, duas mãos – a relevância do paralelismo entre as mãos e os pensamentos poderia ser uma questão para você, mas não será – deslizam pelos seus ombros e levam o pano para longe.
As duas mãos fazem parte de duas jovens nuas que agora carregam a manta de veludo vermelho embora. Você está nu. A vergonha que você sente parece estar indissociavelmente conectada a idéia de que todos os olhos no salão (você esta num salão) estão focados no seu pau – se você pudesse analisar esse sentimento talvez achasse a idéia absurda, mas você não analisará. Você olha em volta e agora pode deixar a imagem da imagem do seu pau ir embora e se concentrar em entender o que está se passando na mesa central.
Sobre a mesa estão mulheres agachadas de cócoras com seus vestidos levantados. O pensamento são vinte duas vem antes mesmo que você pudesse contar quantas são – coisa que você não fará. A longa mesa de mármore tem todos os lugares ocupados, exceto um, entre duas mulheres que usam máscaras. Você sabe que a cadeira é sua e caminha em direção a ela.
Enquanto caminha, você sabe que está tarde e que em algumas horas seus pais chegarão do cinema. Você olha para o teto e – apesar de não reconhecer os afrescos – sabe se tratar da capela sistina. Você puxa o assento. Uma das mulheres segura o seu braço e a outra pergunta:
Qual é o meu nome?
O pensamento qual é mesmo o código te assusta, pois já te perguntaram a senha na entrada e você não se lembra do que respondeu. Você reconhece as duas mulheres - não pelos seus rostos, mas por uma estar usando uma máscara preta e velha e a outra uma mascara de veludo cor de sangue. Instantaneamente, como reflexo de reconhecê-las, você diz:
Você é coelho.
E você sabe que dizer isso equivale a dizer não sei e que não sei é a resposta correta. A mulher que segurava seu braço, passa a mão entre as suas pernas, mas você não tem coragem de virar e encará-la nos olhos.
Você senta no tampo da privada – você poderia questionar porque que a cadeira não era mais de madeira e acolchoada, mas você não o fará – e repara brevemente na mulher a sua frente, de cócoras sobre a mesa. Esses pratos são como os da casa da minha vó passa por você, seguido por minha vó é feita de porcelana e os dois pensamentos casam perfeitamente. Você volta a prestar atenção na mulher agachada sobre a mesa.
Ela segura o vestido roxo para cima e sua calcinha está algemando seus pés. Você enxerga a racha dela e esse movimento vem associado ao pensamento eu nunca usei essa palavra. Você se sente mal olhando sob o vestido dela e sente que ficar enjoado. Ao invés do enjôo crescer, o seu pau fica duro.
Você se sente envergonhado novamente e tenta esconder o pau segurando-o com ambas as mãos. Mesmo com o barulho dos copos e talheres – todos os copos e talheres estão parados na mesa e se você pudesse se lembrar, perceberia como não havia barulho nenhum; mas você não se lembrará – você sente que todos observam você. A vergonha se transforma em uma espécie de sufocamento e você aperta o seu pau com todas as forças.
Enquanto isso, as mulheres em cima da mesa também fazem força. Você sente que, como num tubo de pasta de dente, você esta espremendo todo interior do seu pau pra fora. Você não olha para baixo da mesa com medo do que vai ver. Em cima da mesa, as mulheres soltam um gemido morno enquanto fazem força. Com medo de sentir um dor aguda quando parar de se apertar, você se concentra em olhar para a racha da mulher a sua frente.
Você não consegue ver mais nada a não ser seu cú.
Você percebe que ela vai